Clássicos desse mundo IT

Site em baixo há 3h, o pânico, o horror, é preciso criar tickets para o fornecedor porque os Sysadmin não conseguem fazer nada.

  1. A única pessoa que consegue criar tickets é o chefe;
  2. O nível que temos do fornecedor é de Developer, e só respondem passadas 48h. Esquece o facto de isto ter tráfego de empresa há 3 anos, e estarmos com nível de Developer só para poupar uns trocos.
  3. Temos os Sysadmin a tentar dar instruções ao chefe em como escrever o ticket para o suporte.

No meio disto tudo, não é minha responsabilidade, portanto estou a adorar a novela.

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Não estão a ajudar ao ser sassy

Em relação a este post no Medium, e a outros semelhantes: 11 Things Developers Love Hearing From Non-Developer Co-Workers.

Eu também já fui um bocado assim, e reclamo q.b. aqui no blog sobre situações parvas com que me deparo no meu dia a dia.

No entanto, há muita gente (programadora) que acha que deve responder de forma sarcástica a tudo o que lhe pedem, ou nem fazer um esforço por explicar cenas às pessoas cuja área não é IT.

Só se perpetua o mito que somos uns bichos do mato, e as outras pessoas deixam de se esforçar por nos darem requisitos claros também. Prejudica toda a gente.

Quando me perguntam cenas, não as mando ir ver ao Google, a menos que me tenham perguntado 3 vezes a mesma coisa. Se o que me pedem não faz sentido, explico porquê, sem passar um atestado de estupidez a quem pergunta.

Acho que isto também ajudaria a termos uma comunidade menos tóxica no geral.

A selva do Linkedin

Recebo mensagem no Linkedin de (o que suponho ser) um recrutador, dizendo algo como:

“Estive a ver o teu perfil e acho que eras óptima para uma vaga na empresa X, podes ver no link abaixo”.

Vou a ver o link, pedem um Senior Backend Developer, Java e .NET.

Perguntam-me vocês, e então, qual é o mal?

Não faço Java há 5 anos, e nunca peguei em .NET na vida.

É ignorância? Sendo ignorância, não é requisito do emprego que têm saberem o que estão à procura? É não ler o que está no Linkedin e, no desespero, mandar a mesma mensagem a toda a gente que tenha a palavra “backend” no perfil?

Outro clássico é eu já ter posto na minha descrição de perfil “I’m not interested in working in consulting firms, thank you.”, e mesmo assim chegarem diariamente pedidos de consultoras.

Desculpem se isto parece first world problems, já que muita gente não tem acesso ao volume de oportunidades e mensagens que eu (e maioria dos ITs) recebe; mas qual o interesse dos recrutadores e gestores perderem tempo a escrever uma mensagem a alguém que diz claramente que não está interessado?

Também me faz lembrar o clássico telefonema em que a pessoa do outro lado começa a desfiar o rosário de como a empresa deles é incrível, como o projecto é incrível, sem me perguntarem antes ou me darem sequer oportunidade de dizer que não estou interessada sem antes passarem 10 minutos de monólogo. Perdem todos tempo, é desagradável.

VACANCES

Ando saturada, e a aguardar ansiosamente por este dia, o início dos meus 15 dias de férias de Verão, há muito tempo.

Aqui no trabalho tem sido plot twist atrás de plot twist. Um dos grandes plot twists foi que mudei de backend para frontend (ie. passar de trabalhar em coisas que vocês não vêm num site para a interface) e que, quase tão repentinamente como me mudei para esta área, fiquei eu ao leme, provisoriamente.

Só assim é que fico ao leme de coisas: quando não há mais ninguém na equipa.

A mudança em si foi óptima para mim. Estava numa fase em que me sentia a estagnar horrivelmente, num lodo de aborrecimento e de ansiedade por ir para casa. O que estou a fazer agora é mais interessante, na medida em que estou a aprender uma framework nova que fica muito bem no CV.

Por outro lado, existe toda uma pressão para ter as coisas prontas ASAP. Eu lavo as minhas mãos desse drama: não fui eu que geri a (inexistente) passagem de conhecimento que houve entre a pessoa que estava nesta equipa e eu, nem é minimamente realista esperar que eu vá ter coisas prontas ao mesmo ritmo que o meu colega, especialmente tendo em conta que eu nunca tinha trabalhado com esta framework antes. A partir do momento em que frisei isso aos RH, não estou minimamente preocupada, e faço as coisas ao meu ritmo.

Apesar desta mudança boa, estava mesmo a precisar de me afastar do trabalho.

Portanto, meus queridos: sei que tenho andado desaparecida deste blog, mas lá vou eu de férias!

Em relação ao WannaCry

Ou do “ciberataque” da passada sexta-feira.

Evidenciando os vários problemas clássicos na gestão em Informática.

Primeiro, updates, ao sistema operativo e não só. Se funciona, NÃO MEXE! É esta a máxima aplicada por muitas empresas, algumas delas instituições importantíssimas. Updates não são considerados prioritários, são coisas acessórias, feitas pelas tecnológicas para sugar dinheiro.

Quantos são os bancos que têm toda a sua operação baseada em Cobol, uma linguagem criada em 1959, e é hoje em dia considerada o demónio para manter? Lojas do Cidadão, quais as que não usam ainda o Windows XP, um sistema que deixou de ter suporte oficial por parte da Microsoft em 2014? (felizmente para várias almas, incluindo a do NHS do Reino Unido, a Microsoft lançou um patch de emergência para o XP, quando não tinha a obrigação de o fazer).

É evidente que há um risco associado a fazer um upgrade, coisas que funcionavam antes podem deixar de funcionar. Para além do custo do upgrade, que é bem carote, há o custo associado a testes das aplicações e possíveis correcções para funcionarem nos sistemas mais recentes.

Ah e tal estamos em crise, não temos dinheiro para gastar em updates. Acredito que não haja dinheiro para tudo. Mas temos de parar de nos iludir e de viver no passado, só porque “ainda funciona, portanto não mexe”. Quanto mais antigo um sistema, maior a probabilidade de ser afectado por uma falha de segurança grave – esse tipo de coisas é aperfeiçoada, normalmente, em cada iteração de um sistema. E, lamento, a malta que explora as falhas de segurança não vive no passado.

Não podemos ter a nossa vida toda informatizada e online sem termos os cuidados básicos de segurança. Imaginem que este ataque tinha atingido a Caixa Geral de Depósitos. Imaginem todos os dados das vossas contas bancárias nessas internetes fora. Quem vos protege? Pois.

As camadas de gestão têm de deixar de viver no passado. Não podem ser descurados os updates ao software. Se tem custos, contemplem nos planos, dêem prioridade a esse investimento. Não esperem que a desgraça aconteça.

Além do tema dos updates, há o tema dos backups. Porque toda a gente sabe, e se não sabe devia saber, que por mais precauções que tomemos, pode mesmo assim dar-se a desgraça. Perdem-se os dados todos. E agora? Se tivesse backups desses mesmos dados, não havia problema.

No Verão passado, tentei ajudar o meu pai com um caso de ransomware que atingiu um dos clientes dele. Todos os ficheiros ficaram inutilizáveis, e era pedido um resgate de não sei quantas bitcoins, o equivalente a 3000 euros. O meu pai já andava há meses, meses, para convencer os clientes a investirem numa solução de backups eficiente. E eles nada. Não queriam gastar o dinheiro.

Resultado: foi tudo ao ar. Não se recuperou nada. E, no fim, parecia que o meu pai estava mais preocupado que eles sobre a questão.

No final, vamos sempre dizer “nós avisámos….”. E, no final, também somos sempre nós a levar com as culpas de tudo.

O dia em que tive um microfone na mão

Entretanto acho que já passou tempo suficiente desde o dia em que fui falar a uma conferência para poder falar da experiência.

Para começar, as semanas que antecederam o evento foram um crescendo de tensão. Na noite anterior, tive a oportunidade de falar numa pequena entrevista sobre a temática, e não correu de todo como eu esperava. Tinha todo um discurso preparado, coisas super eloquentes para dizer, e no momento fiquei super nervosa e não consegui dizer grande coisa. Gravei a entrevista, mas não a ouvi ainda e tenho medo de me ouvir.

Fiquei super triste porque o tema As Mulheres na Informática é um tema que me diz muito. O principal propósito deste blog, para além de eu dizer parvoíces, é precisamente para falar sobre a parvoíce diversa que nós, a trabalhar nesta área, enfrentamos com frequência, assim como situações caricatas.

Assim, e tendo a plataforma para isso, óbvio que quero contribuir para esclarecer os problemas actuais, e em como podemos ter mais mulheres nesta área e finalmente atingir a igualdade de género. E fiquei triste porque, nessa primeira fase, senti que falhei. Queria conseguir inspirar, e fiquei aquém. Acho que fiquei desiludida comigo própria.

O evento em si correu melhor. Falei menos do que tinha planeado, mas quando falei não estava nervosa. Como meti conversa com as outras mulheres que iam também falar nesse dia, e estava sentada ao lado delas, não me senti intimidada, nem pela plateia que estava a assistir. Claro que antes estava super nervosa a rever as minhas notas, mas no momento senti que consegui falar de forma clara.

O teor da minha exposição passou um bocado pelo que já falo aqui: como venho de uma família de ITs e o que me levou a escolher esta área, como já duvidei ter sido contratada pelas minhas capacidades ou pelo facto de ser mulher e de ficar bonito nos quadros ter esse Pokémon raro, e como o facto de estarmos em minoria, seja ela de género ou de etnia, nos faz retrair mais no momento de contribuir.

Fiquei contente e aliviada quando terminou a intervenção sem eu ter dito nada de ridículo, mas também fiquei desiludida por não ter conseguido tocar em pontos mais sensíveis.

E fiquei a pensar: poderia haver alguma forma de eu ter uma plataforma mais abrangente, onde pudesse falar de forma mais séria sobre a igualdade de género na informática?

Talvez o ideal fosse ter uma crónica numa publicação – não tinha de lidar com ansiedade estúpida e conseguiria abordar o que pretendia da forma mais correcta.

Mas depois também me ocorreu: há alguém que queira ouvir?

Não sei. No fim do dia, tenho dúvidas sobre o impacto da minha participação nesta conferência, embora tenha ficado muito satisfeita por ter participado, e por ter ouvido as histórias das outras participantes. E fiquei muito, muito agradecida a todos os que me proporcionaram esta oportunidade e que me apoiaram – o Mr. IT conseguiu ir assistir!

Às senhoras que trabalham / estudam / t|em aspirações nesta área: estamos juntas!